
Nos últimos dias tenho sido tomado por um assomo de melâncolia. Tenho vontade de recordar o caminho já trilhado. Pensava que esta sensação só chegaria daqui a uma meia dúzia de anos mas, pelos vistos, bateu-me à porte mais cedo - e forte.
Por isso, uso as novas tecnologias para reatar contacto com velhos amigos à muito perdidos no baú das recordações. Nesta busca tenho reparado que a esmagadora maioria está desempregada ou a trabalhar em situações bastante precárias. É pena. Existem por aí pessoas com grandes ideias que estão a ser trucidadas pela lei de mercado e um sistema de ensino desfazado da realidade.
Então, dou por mim a pensar: Estaremos nós a criar uma geração de frustrados? Infelizmente a resposta é SIM.
Ouço muitas vezes, em conversas de família, a frase: "Se tivesse tido as tuas oportunidades a minha vida teria sido bem diferente". Embora me enerve bastante este comentário, dou o benefício da dúvida. Mas já agora, deixem-me rebater o argumento. As circunstâncias são diferentes, ou será que um "canudo" em 1980 era sinónimo de trabalho precário. Errado. Ter um curso superior nessa época era ter um trabalho garantido.
A proliferação de cursos deve ser acompanhada de oportunidades de trabalho na exacta medida. Digo isto sem qualquer problema porque entraria em qualquer dos cursos que escolhi (na época) sem dificuldade. O mesmo é verdadeiro hoje. Sem falsas modéstias, porque é que tenho de estar longe para concretizar os meus sonhos. Será que voltei à década de 60!
Dá que pensar. Portugal tem as veias abertas e, o primeiro sangue vertido são os seus "cérebros". Como será o futuro de um país assim? Tremo!
Apesar das barreiras, sei que um dia vou chegar lá. Custe o que custar! Tenho dito.
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